A história de Lior do começo ao fim
Ele não desistiu

HISTÓRIA – O destino de Lior começou a ser traçado alguns meses antes do seu nascimento, no verão de 1985, num país distante além do oceano. Um casal, em Israel, cuja mulher não conseguia engravidar, queria muito adotar uma criança, mas a espera pela adoção em seu país seria muito demorada, cerca de sete anos ou mais. Por meio de amigos, ficaram sabendo que no Brasil era muito fácil e rápido adotar crianças e que havia uma senhora que intermediava adoções pelo mundo inteiro e foi assim que eles foram apresentados a *Arlete Hilu, num hotel em Tel Aviv, Israel.

Ago/2013. Lior, no meio, junto de vários adotados.
Após o primeiro contato, estimulou-os a promessa de que teriam a criança em poucos dias e tudo foi preparado aparentemente dentro da legalidade. O casal passou para uma pessoa de nome *Vilma Ferreira Oliveira, que se dizia advogada, uma procuração para intermediar a adoção de um menino no Brasil, o qual desejavam chamar de Lior.
Algumas semanas depois, no dia 5 de setembro, eles receberiam uma ligação do Brasil, com a notícia tão esperada. “Seu filho nasceu!” A história completa de Lior, como ele chegou até a Associação Desaparecidos do Brasil e de outros jovens que como ele foram vítimas do tráfico de bebês estão registradas no livro.

Ao longo desses quase 30 anos, muitos de vocês sabem o quanto eu me dediquei à causa das pessoas desaparecidas. A uma certa altura, fui levada para um caminho que eu não conhecia. Passei a receber centenas de pedidos de ajuda de pessoas de países distantes que me obrigaram a ir mais fundo nas pesquisas em busca de respostas que eles ansiavam. Essa é uma parte da nossa história que ainda hoje é vista como tabu pela nossa sociedade.
Vítimas de um esquema cruel de tráfico humano encabeçado por respeitáveis cidadãos e autoridades diversas, crianças foram vendidas, levadas para destino ignorado. Esquecidas. Entre negligência, corrupção e a dor das famílias, o livro narra a realidade cruel desses bebês tratados como mercadoria. E o mais grave: tudo isso sob o olhar indiferente das autoridades, do sistema, da sociedade. Este livro reconstrói essas histórias. Dá voz aos filhos que cresceram sem saber quem são. Sem saber de onde vieram. Mais do que um livro — é uma denúncia corajosa, um apelo à memória, à justiça e à verdade.
Amanda Boldeke
O livro pode ser encontrado em: 30 MIL DÓLARES POR UM BEBÊ, por AMANDA BOLDEKE – Clube de Autores
